‘Quando ele era criança, e queria muito que sua mãe lhe comprasse algo, ficava parado em frente da loja toda vez que passavam, olhando, apreciando, como se aquilo fosse comover sua mãe e fazê-la pensar: “Oh!, ele realmente quer isso de coração, não importa se não é importante, vou dar a ele.”
Porém, como era de se esperar diante do capricho de qualquer criança, esse pensamento nunca ocorreu em sua mãe.
O menino cresceu, e continuou a fazer o mesmo ritual da ‘loja’, só que dessa vez, o pensamento que ele esperava comover, era o seu próprio.
Mudo e calado, ele sempre ficava apenas a apreciar a linda vontade e o maravilhoso desejo de algo que queria. Não tinha voz pra gritar, e nem muito menos iniciativa pra lutar. Ficava apenas, a olhar, a olhar e a olhar. Como se esperasse que um dia, finalmente, ele ultrapasse qualquer medo e insegurança, e enfim, entrasse na loja de uma vez por todas e pegasse o que ele queria. Os anos o estava cansando cada vez mais, e ele ja não queria continuar à margem das coisas, como um mero e fiel espectador da própria vida - e não um participante assíduo como tanto desejava ser.’
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‘Quando ele era criança, e queria muito que sua mãe lhe comprasse algo, ficava parado em frente da loja toda vez que passavam, olhando, apreciando, como se aquilo fosse comover sua mãe e fazê-la pensar: “Oh!, ele realmente quer isso de coração, não importa se não é importante, vou dar a ele.”

Porém, como era de se esperar diante do capricho de qualquer criança, esse pensamento nunca ocorreu em sua mãe.

O menino cresceu, e continuou a fazer o mesmo ritual da ‘loja’, só que dessa vez, o pensamento que ele esperava comover, era o seu próprio.

Mudo e calado, ele sempre ficava apenas a apreciar a linda vontade e o maravilhoso desejo de algo que queria. Não tinha voz pra gritar, e nem muito menos iniciativa pra lutar. Ficava apenas, a olhar, a olhar e a olhar. Como se esperasse que um dia, finalmente, ele ultrapasse qualquer medo e insegurança, e enfim, entrasse na loja de uma vez por todas e pegasse o que ele queria. Os anos o estava cansando cada vez mais, e ele ja não queria continuar à margem das coisas, como um mero e fiel espectador da própria vida - e não um participante assíduo como tanto desejava ser.’

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